domingo, 22 de agosto de 2010

Os pombos, tais como aquele rato ruivo



Andando pela rua vi pombos, quando lhes dei mais atenção percebi que um deles estava machucado, sua cabeça estava depenada em alguns pontos, deixando-o absurdamente asqueroso. Quis que o pombo não existisse. Quis não tê-lo nunca visto. Por que eu deveria ver um pombo careca e tão horrível? A feiúra do mundo me inquietou e incomodou, me senti violentada por ela. Seria mais fácil se o pombo não existisse. Mas acontece que ele existe, e me seria impossível amar realmente o mundo se eu não entendesse a existência do pombo. Penso em resoluções que preciso fazer e concluo que talvez e provavelmente eu seja para o pombo o que ele é para mim. Talvez eu ameace sua paisagem, eu, humana, sendo a minha existência absolutamente desagradável, sendo a minha raça a responsável pelo desequilíbrio do que um dia fora mais simples e melhor, menos sujo. Qual seria o habitat natural dos pombos? Que tipo de território deveriam os ancestrais dos pombos frequentar? Antes que criássemos a tão estimada "cidade"? Percebi uma urgência em questionar o que me faz pensar que o lugar aonde piso é meu e que o pombo é um intruso e não o contrário. Procurei imagens de pombos na internet para ilustrar o post. Não encontrei pombos asquerosos como eles ainda me parecem, encontrei pombos lindamente fotografados. O que me faz pensar que tudo é uma questão de perspectiva, qualquer coisa pode ser personagem principal. Encontrei também essa foto que me pareceu ilustrar o pombo como figura central e um homem em segundo plano. Imaginei o pombo como igual a mim, a questionar a existência do que nos é estranho. Depois ri, pensando no que o pombo poderia estar planejando. Não consegui saber de quem é a foto, estava em um outro blog de nome zeb.blogs.sapo.pt, então faço aqui a referência.
Estou pensando nos pombos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pensamentos Recentes

Hoje vi uma mulher com dois peitos. Ora, mas é claro que eram dois! Quando voce diz a alguém que viu peitos, a pergunta que se faz é "Onde?" e nao "Quantos?"...
Mas digo que ela tinha dois devido à enorme diferença de tamanho entre eles, o que os individualizava, um era absurdamente grande e o outro era grande. Pensei que isso era normal, que toda mulher tem seios de tamanhos diferentes, mas aquela mulher, coitada...
Ouvi também uma frase que me fez pensar. Um homem disse: "Olha o tamanho do Churros!"
Qual é o o singular da palavra churros? Todo mundo os chama de churros. Odeio churros. Eles sao bonitos, cobertos com canela e dourados, recheados de doce de leite ou chocolate. Da vontade de experimentar. Uma vez comprei um, odiei. Extremamente gorduroso, quente demais, doce demais, desagradavel mesmo. Comi até o final porque eu sou teimosa. Ou talvez por que eu tenha algum tipo de transtorno alimentar. Depois, outro dia, esqueci que nao gostava, eles sao tao bonitos... Comprei outro. Dessa vez de chocolate. Odiei mais ainda. Comi até o final. Cara, sério: transtorno alimentar!
Tenho passado muito tempo sozinha, e estou começando a me cansar da minha companhia, eu sou legal, ok... mas quero inovar, conversar com outras pessoas além de mim. Eu sempre concordo comigo e isso é chato. Mas tenho assistido a filmes novos, mais documentarios e tenho ficado meio desesperada com o mundo, o capitalismo, a manipulaçao das massas, o consumismo por si mesmo, a exploraçao e comercializaçao do meio ambiente e de valores antigos. Um aluno meu gravou dois documentarios para mim: SURPLUS e ZEITGEIST. Depois de Surplus eu queria quebrar tudo que representa o capitalismo e ir para um pais socialista comer so arroz e feijao todo o dia sem sentir o peso da fome dos pobres, da desigualdade social. Depois de ZEITGEIST eu queria simplesmente morrer. Sao otimos filmes. Recomendo.
Descobri que eu tinha um medo enorme de querer pouco da vida, de querer de menos. Mas hoje eu vejo como so o necessario é realmente essencial. Querer MENOS é ser mais independente, logicamente falando, precisar de menos é ser mais. Um exemplo tosco: um copo de agua de coco custa R$ 1,00, uma garrafa de 500ml custa R$3,00. Eu sempre optaria pela garrafa. Hoje comprei o copo. Por que foi que enfiaram na minha cabeça que "vale mais a pena comprar o maior"? Eu estava sozinha, so precisava de um copo para matar minha sede. Para que comprar a garrafa e desperdiçar ou guarda-la e deixa-la perder a frescura? Por que vamos a rodizios e comemos até passar mal? Da penultima vez que fui a um, comi muito mais do que o meu estomago queria deixar, passei mal, nao conseguia dormir e quando dormi tive pesadelos horriveis (tem tudo a ver, por sinal) e começo a me perguntar POR QUE temos a mentalidade do "dar prejuizo"? Por que sentimos que esse sistema se aproveita de nos, que nos explora, e essa é a nossa "vingança". Consumir até passar mal. Desde quando eu acreditei que MAIS era melhor?
Hoje eu percebo que nao é, e é tao injusto que sejamos tao instigados a consumir e comprar e comer e ainda caber nos malditos padroes de beleza. Por que eu tenho que ser alta e ter pernas longas e ser absurdamente magra e com um nariz desenhado a pincel? Para que alguem me VENDA uma cirurgia plastica. Meus amigos estavam me falando que ninguem deixa de gostar de ninguem por causa de celulites e estrias. Outra amiga me contou do cara na academia dela que malhava e tirava fotos de si mesmo. E eu nao consigo parar de pensar que isso esta errado. Mas ja passei da fase do "nao posso fazer nada, vou viver a minha vida" agora eu quero fazer alguma coisa a respeito. Quando eu descobrir, eu aviso.
;)

sábado, 22 de maio de 2010

Água



Tudo o que eu sinto é líquido. Líquido não fosse não transbordaria de mim como água salgada.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Para vocês, amigos

Sabe, a leitura sempre me fez bem, e escrever é um grande exercício. Como diria meu grande amigo Guilherme Lopes, escrever é extrair algum efeito estético da feiúra dos nossos dias, note que estou parafraseando... Mas meus dias não são feios. Eles começam escuros às cinco da manhã quando acordo, rendem nas minhas manhãs em Niterói no trabalho, esquentam durante a tarde no sol implacável de São Gonça, descansam à noite, quando eu penso mais claramente. Sou noite.
Escrevo quando dá tempo e quando as palavras já se rebelam dentro de mim. Às vezes sinto vergonha porque o que eu escrevo é meu. Meu idioma, minha forma de juntar as palavras em sentenças e essas sempre em textos curtos. Sempre curtos. Um grande prazer é pegar um texto como Joana, por exemplo, não me reconhecer ali, ler frases que me agradam e pensar, "nossa, mas como isso soa bem, fui eu mesma que escrevi?" Claro que o texto me agrada. Ele fala minha língua.
Melhor ainda é ler textos como os de Gui Lopes, Raquel Fernandes, Thamiris Oliveira e pensar: "mas que coisa linda! Também eles falam a minha língua. Sentem o mundo como eu."
É importante cuidar de nossos textos, corrigi-los, como guardar brinquedos para que durem mais. Para que não percam o brilho. Aqui cito Sra. Fernandes, 2010. É importante escrever para nossos amigos, com o mesmo esmero que se faz um texto, com o mesmo carinho que se guarda o melhor brinquedo.
Faz tempo que quero escrever para meus amigos uma grande carta de agradecimento, por me fazerem lembrar o que existe de bom em mim. Eles me escrevem cartas. Eles me dão abraços, me perguntam sobre minhas angústias. Eles bebem comigo.
Obrigada, amigos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Death and all his friends...

She said to me, very calmly:
"Feelings fade. They die, and so do people. The sun rises and it goes so high in the sky that it turns into nightfall."
"But, to try..." But she would not let me speak any further.
"Doing your best, even when that is all you can do, is not enough. You can not try to swim faster than water, you can't try to hold the sun up in the sky, it would burn you without any mercy. Because you are in it. You are in water, you cannot fight it, but you don't have to drown. And I know that you believed what you did would be enough... I mean, you did great, but you were not even close. I told you, girl. I know how smart you are. Do not believe in lies..."
"They were so sweet, so easy to believe in..."