Lingüística:
Linguagem X Língua
Linguagem: Gestos, olhares, sons, intonação, e às vezes palavras também.
Língua: Forma de organizar a Linguagem em um sistema.
As vezes o silêncio é parte da linguagem. O silêncio diz... Mas ainda não descobri o quê.
Primeiro você escreve algumas palavras, depois vai colocando uma atrás da outra... É tudo muito natural, peixes no lugar certo. Talvez você não passe muito tempo aqui, talvez volte mais tarde, saiba que é bem-vindo. Os textos sem ninguém para lê-los morrem, e não há morte mais lamentável que a morte do que não foi lido. Textos na água.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Passageiro de corredor
Descobri que gosto de andar de ônibus.
Percebi que o tempo está mais curto, e, cada vez menos eu escrevo.
Só quando estou nos ônibus da minha vida, eu paro e penso. Talvez por isso não seja passageiro de janela, mas de corredor. Egoísta que sou, olho para a paisagem interna a mim, as metamorfoses diárias, as conclusões que florescem para depois dar frutos, e, por um momento, eu escrevo uma frase no caderno mental: "ela era como um pássaro negro"... e veja só: o "era" de novo... Como sou previsível a mim mesmo... Mas, ainda gosto do que escrevo. Penso: "não posso esquecer essa frase..." E negrito no caderno mental.
Um fragmento de conto ali.
Um enredo aqui.
Um personagem, bem ali... Na minha frente.
Eles ficaram sem tempo... E eu também. Mas ainda tenho um caderno. E você?
Percebi que o tempo está mais curto, e, cada vez menos eu escrevo.
Só quando estou nos ônibus da minha vida, eu paro e penso. Talvez por isso não seja passageiro de janela, mas de corredor. Egoísta que sou, olho para a paisagem interna a mim, as metamorfoses diárias, as conclusões que florescem para depois dar frutos, e, por um momento, eu escrevo uma frase no caderno mental: "ela era como um pássaro negro"... e veja só: o "era" de novo... Como sou previsível a mim mesmo... Mas, ainda gosto do que escrevo. Penso: "não posso esquecer essa frase..." E negrito no caderno mental.
Um fragmento de conto ali.
Um enredo aqui.
Um personagem, bem ali... Na minha frente.
Eles ficaram sem tempo... E eu também. Mas ainda tenho um caderno. E você?
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Feel-the-Song-moment
Um homem de voz de veludo fala comigo. As batidas no peito seguem ritmo de balada norte-americana. Você está comigo. Música de final de filme triste. Recomeço pós-fim, que emociona daquele jeito bonito e bobo. E você se dá até que não sobre nada.
A lágrima escorre, e se houvesse uma pessoa ao seu lado, seguraria a sua mão, e acharia bonito ver você chorando, por não saber que a lágrima sai por não caber em si.
Há um peso no peito que a música leva como um vento desenhado, como estar com as mãos para fora de um carro em alta velocidade. Ser o carro, ser a velocidade. E eu já não posso viver... com, sem você...
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A man with a velvet voice speaks to me. The heartbeats in an american ballad rhythm. You are with me. The song is from the end of a sad movie. Restart after an end, that gets us emotional in that amazing silly way. And you give yourself away.
The tear runs through your face, and if there was a person beside you, he/she would hold your hand, and would find it beautiful to see you cry, not knowing that the tear only falls for not fitting itself.
There is a weight in the chest that the song carries away like a drawn wind, like having your hands out the window of a car in high speed. Be the car, be the speed . I can't live... with, without you...
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Juíz de si mesmo
Sobre as pessoas:
Somos todos imperfeitos. Devemos, no entanto, saber como lidar com a consciência de nossas falhas sem conformar-nos com elas. Começa com humildade. Com a busca de tornar-se um ser melhor antes mesmo de exigir o melhor dos outros.
Somos todos imperfeitos. Devemos, no entanto, saber como lidar com a consciência de nossas falhas sem conformar-nos com elas. Começa com humildade. Com a busca de tornar-se um ser melhor antes mesmo de exigir o melhor dos outros.
Muitas pessoas ressaltam os defeitos dos outros para enfatizar as próprias qualidades. A idéia é essa, mas isso não acontece. É um cilclo. Há um sentimento de superioridade temporário, mas à longo prazo, nos encontramos numa sociedade que não perdoa ninguém, e a culpa invisível cai em nossos ombros.
A verdade é que todos cometemos erros. Grandes erros. Todos julgamos nossos próximos. Mas, talvez, em outra ocasião, venhamos a cometer o mesmo erro que julgamos imperdoável. E, adivinhe só: a nós mesmos, perdoaremos.
Sempre tento não julgar as pessoas. Admito que é muito difícil, mas tentar me colocar no lugar dos outros é um exercício diário. E compensa.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Impessoal?
Dizem que o escritor (o artista) não é dono da sua obra. Ensinam isso na faculdade de Letras. Quando Carlos Drummond disse que sua preciosa pedra no caminho era somente uma pedra, denotativa mesmo, um mineral, isso não mudou a visão dos teóricos. Claro que existem formas de ver, de interpretar. Alguns pensam que se o autor não é o dono de sua obra, qualquer interpretação é válida. Obviamente, essa argumentação é inválida, pois a interpretação livre é, também, controlada. Assim como antes me disseram para não estudar a obra baseando-se na vida do autor. Mas ainda sim, alguns reflexos pessoais são inegáveis. Não descobri ainda porque isso me incomoda tanto.
No meio do caminho
"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra"
(Carlos Drummond de Andrade)
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Existem duas formas de entender o poema, certo?
O caminho poderia ser uma rua, ou a representação da vida. A pedra poderia ser um desafio, um inconveniente, ou o único aspecto a ser lembrado nesse caminho, dessa rua na qual não se enxerga nada além de uma pedra.
O ponto é que não acho que exista literatura impessoal. E ao mesmo tempo, a literatura não é psicografia. É um trabalho. E é realmente inegável que há mais de uma interpretação. Quando descobrimos uma segunda interpreteção que cabe naquilo que escrevemos é uma surpresa boa. Significa que o texto é rico. Que há espaço para mais, sem ser sufocante naquilo que queremos, sem ser solto a ponto de fugir do que pensávamos em escrever. Eu me avalio duas vezes. Sou escritor, mas, mais do que escrever, eu leio. Leio sempre e repetidas vezes a mim mesmo. E a cada releitura me desgosto mais, vou ficando mais chato, implicante, crítico, e se há paciência, trabalho, lapido o texto, se não há, guardo o rascunho, escondendo a pedra bruta do mundo, é só a mostro lapidada.
Se acredito em inspiração? Não existo sem ela. Às vezes o texto vem, pronto na cabeça, sei o que e como escrever, mas sem inspiração ele não sai, estaca. As palavras não fluem em riacho, ficam em poça rasa. Inspiração ajuda muito, e ao mesmo tempo, a literatura é trabalho, a arte é pensada e medida, é um fruto. Mas esse fruto não paira no ar, ele precisa de uma árvore, de um caule. "An apple doesn't fall too far from it's tree" um filho não pode ser muito diferente do pai. "Um fruto não cai muito distante de sua árvore", e um texto não vai muito além de seu criador. O texto pode não ter semelhança com seu autor, mas tem um DNA. Eu, por exemplo, uso a palavra "era" o tempo todo. Já me disseram que são muitos verbos, que fica pesado. E esse meu pretérito imperfeito é uma chave sem ser chavão. É narrativa do momento que mal acaba de passar, quase presente pairando no ar... O corte já foi feito, mas ainda dói.
"era um pôr-do-sol..."; "era o momento" ; "era uma ressaca sem cheiro"; "era agora..."; "era..."; "era..."; "era..."
Faz parte do meu escrever. O estilo Machadiano tem traços fortíssimos, o meu tem "era". Escrever literatura é um prazer para os escrivões/escritores, escrever uma dissertação, um artigo, uma resenha... Isso é necessidade, é seguir um padrão. Literatura é fazer o seu padrão. O meu começa com "era...", e não tem nada de impessoal. Suar encima de um texto para que ele seja seu, suar por prazer não tem nada de impessoal. Nada mesmo.
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