quarta-feira, 13 de maio de 2009

Humana


Sentiu alguma coisa. Lera que os preguiçosos sentiam uma vontade estranha de fazer algo, mas não sabiam o quê. Não era vontade de fazer algo, era uma vontade de não fazer nada. Isso a fazia mais ou menos preguiçosa então? Depois dos feriados se sentia assim, um pequeno tempo sem fazer nada e estava convencida a deitar e dormir numa extensão eterna. Hibernar. Talvez acordasse descansada. Talvez não. Talvez seus músculos se atrofiassem e ela ficasse presa na exaustão para sempre. Inércia. Lera também um conto chamado A Primeira Lei de Newton. Lembrava que gostara muito. Mas não era ela. Gostava mais da terceira lei. Ação e Reação.
Se um corpo A aplica uma determinada força em B, receberá deste uma força de mesma intensidade, mesma direção e parava de prestar atenção nesse exato momento... Mesmo o quê, hem? Mesma direção... E sentido oposto...? Não era boa nas exatas, apesar de que não parecia muito complicado. Simples, exato. Mesma intensidade... Sentido Oposto. Não era ladainha da dona da loja de produtos esotéricos, era física agora. Era mais fácil acreditar na física. Lançaria seus planos no universo e isso desencadearia um resultado. Isso tinha a ver com a dona da loja de produtos esotéricos.
Tudo o que ela possuía de diferente e a fazia única e especial estava nos planos que tinha. Os planos eram forças. A impulsionavam para frente. Será que ao projetar força em direção aos seus objetivos eles a empurravam de volta? Mesma força. A contra B. Empate. Inércia? Três leis que se contradiziam, como as leis da robótica no filme?
Empurrou o caderno em que escrevia palavras pesadas. O caderno se moveu. Ação e reação nunca se anulam, agem em corpos distintos. A podia mover B. Não era força, mas corpo. Muitos fatores determinavam o que aconteceria com A e B. Socar uma parede não moveria a parede. A parede devolveria a força. Bem feito. Nunca soque uma parede.
Quanto mais movimento, mais se movimentava. Mais disposição, menos tempo. Queria ler mais livros, estudar mais, dormir um pouco mais. Trabalhava sábado. Que droga trabalhar no sábado. E ouvira: Mas sabia que quando eu morava nos Estados Unidos eu trabalhava todos os dias, sábados, domingos, feriados, em casa... Essa coisa de não trabalhar no sábado é coisa de brasileiro. Curioso. Soltou dos pulmões um breve “hum”. Coisa de brasileiro. Não sei não. Sempre morou no Brasil. Que droga trabalhar no sábado. Que droga morar no Brasil. Isso era um princípio relativo. Tinha a ver com o referencial. Tinha a ver com geografia.
Tempo e espaço. Einstein. Ele tinha cara de louco, Aquele cabelo despenteado, de aspecto sujo a incomodava. Não fazia sentido apostar em teorias que eram tão invisíveis a seus olhos. Preferia teorias mais facilmente comprováveis como a de Edward A. Murphy.
Precisava comprar um incenso.

2 comentários:

Dani *~ disse...

Lu, você escreve muito bem =)
Passarei mais por aqui agora, beijos!

Deyvid Guedes disse...

Muito louco o seu texto.. vai de Einsten com a Física, à GEografia Espacial, passando pelo "Eu RoBô!"... rs
Aliás esta é a única parte que eu não concordo, as leis não se contradizem, elas apenas são uma em função da outra... (Função??? Será que eu acabei de incluir a matemática no seu texto? rsrsrsrsr)


Gostei daqui... Acho que serei bem vindo pelo que li lá no topo da página!